Resenha: Cimitarra – Cimitarra (2018)

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A ciência não tem uma resposta precisa para os efeitos do Heavy Metal no organismo dos seres humanos. Os sintomas variam de pessoa para pessoa. Alguns tem imunidade e sofrem as sequelas de atração por certos gêneros menos favorecidos, causando sofrimento às suas famílias. Outros se afeiçoam por algum período – anos, às vezes – mas depois vão aos poucos retornando a um estado de vida letárgico e esquecem a paixão que vivenciaram….

Mas existe o terceiro caso, daqueles que, depois de infectados, nunca mais revertem à condição anterior. E o tempo passa irrefreável, os cabelos começam a ficar brancos ou rarear, mas a fúria permanence. Hábitos antigos insistem em retornar, como empunhar algum instrumento para obter música, para criar, para restabelecer sua marca.

Esse é o sentimento de tantos veteranos e foi a força motriz para que a Cimitarra se erguesse em São Luis. Formada por veteranos e membros da nova geração do círculo metálico daquela cidade, pode se aferir que a semente foi plantada lá no passado, com a banda Lúgubre, da qual vieram o baixista Gesner Soares e o baterista Marcelo Bazuca, irmãos, que fazem as honras de abrir a sequência de sons em seu novo projeto. Baixo soando primeiro, bateria em sequência, uma pausa e… “Cimitarra”!

A primeira das cinco canções demonstra algo que será comprovado no decorrer das demais. A influência dos ludovicenses é o Metal Brasileiro. Isso mesmo! Não precisamos reprocessar os sons que veem de fora, mesmo sabendo que foram estes que inspiraram as principais bandas de nosso país, mas o nosso sotaque – e essa é a palavra mais adequada para o caso – criou um diferencial em nossa música pesada que a distingue das outras regiões globais. Ao ouvir o Cimitarra, as primeiras associações mentais que você fará não será com os medalhões estrangeiros, mas com bandas seminais como Taurus, Salário Mínimo, Azul Limão e Overdose.

Este ultimo é o que tem a influência mais presente no disco, principalmente na faixa título e em “Hiena da Fé”. Chegando até aqui, chama a atenção a vibração transmitida pelos backing vocals graves e volumosos, que fazem contraponto com a voz de timbre mais agudo de Italo Araujo. “Sangue Derramado” é a primeira da tríade de canções cujo título começa com “S”, que não associamos com “speed” apenas pelo ritmo mais pausado da ótima “Serpente Imor(t)al”, que fecha o disco com muito carisma. Entre as duas, está “Sentença de Morte”, no melhor estilo Taurus de ser. Um momento de puro headbanging que acentua o casamento perfeito entre as guitarras de Ivan Costa e Jacob Viana, cruzando riffs que vão direto ao que interessa.

“Cimitarra”, o EP, é um começo promissor e a banda merece os parabéns. Há um pequeno porém, que não sei se seria apenas de minha cópia, em que percebemos a presença de um pequeno chiado de fundo, como aquele que era comum em discos de vinil, mas isso não afeta o resultado musical.

Aliás, enquanto você estiver curtindo essas cinco músicas bem alto, não vai sequer ligar pra isso. Aqui não há como evitar: a Cimitarra vai atingir o seu pescoço!

Formação

Italo Araujo – vocal

Gesner Soares – baixo

Marcelo Bazuca – bateria

Ivan Costa – guitarra

Jacob Viana – guitarra

Músicas

01.Cimitarra

02.Hiena da fé

03.Sangue derramado

04.Sentença de morte

05.Serpente imor(t)al


Anderson Frota

“Anderson Frota é baixista da banda Asmodeus, de Fortaleza, e escuta rock e metal desde os 14 anos, indo desde os Beatles até o Napalm Death, desde o Yes até o Cannibal Corpse”

Fonte: Roadie Metal (http://roadie-metal.com/resenha-cimitarra-cimitarra-2018/)

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